Frentes conectadas: Design, Marketing, E-Commerce e Editorial em um grupo editorial com mais de 9 selos e frentes (Editora Órbita, Multiletras, Cantinela, Via Lúdica, entre outros).
Escopo da entrega: Consolidação das identidades visuais em bibliotecas no Figma, tradução de regras de aplicação em componentes e desdobramento para distribuição de ativos e triagem operacional.
Cada selo do grupo tinha um nível diferente de documentação, urgências comerciais próprias e bastante autonomia. As diretrizes viviam em manuais estáticos e pastas soltas, difíceis de consultar na correria de fechar campanhas, vitrines de e-commerce e materiais de eventos.
Com esse ritmo, mais etapas de aprovação ou mais PDFs para consultar só aumentariam o atrito. Fui por uma governança por conveniência: em vez de depender de quem lê o manual, coloquei as regras de identidade dentro dos arquivos, variáveis e componentes que o time já usa para produzir.
"Em rotina acelerada, a governança que funciona é a que diminui o esforço: o ativo padronizado precisa ser o atalho mais fácil para fechar a entrega."
Para não criar um gargalo de manutenção, não montei um sistema de interface para cada selo. Atuei onde a marca de fato se desviava, em três camadas:
1. Identidades organizadas em bibliotecas: Vetorização, paleta de cores e catalogação dos selos editoriais em uma fonte única no Figma.
2. Regras de aplicação transformadas em componentes: Diretrizes que antes ficavam restritas ao PDF (orientação horizontal/vertical, versões monocromáticas e tokens de cor como --azul-orbita-primario) convertidas em propriedades selecionáveis (Marca, Orientação, Cor).
3. Peças recorrentes modularizadas: Templates de campanhas do PNLD, vitrines de e-commerce, desdobramentos de redes sociais e materiais físicos de eventos estruturados para escalar mantendo a identidade de cada selo.
Navegue pelas 3 camadas: da consolidação das marcas em biblioteca até as propriedades de componente e peças modulares em uso.
Aplicar bem as marcas também passava pelo insumo mais pedido da operação: mockups de livros e coleções didáticas. Sem um lugar central para as capas tratadas, parte do tempo ia para pedidos de arquivo e recortes manuais a cada demanda nova.
Montei um fluxo de preparação e recorte em lote (batch crop) para padronizar os mockups e os distribuí em dois lugares sincronizados: na biblioteca do Figma, para o time de design usar direto nas peças, e no Microsoft Loop, para marketing, editorial e ecommerce consultarem e baixarem sozinhos.
Espelhamento estratégico entre Figma e Microsoft Loop: capas e mockups tratados em lote prontos tanto para criação quanto para autoatendimento de outras áreas.
Faltava fechar o ciclo entre a entrada dos pedidos e o uso das bibliotecas. Várias frentes abriam chamados no Jira, cada uma com sua urgência, e um formulário longo só empurraria os pedidos para canais informais.
Em vez de endurecer a entrada, montei um fluxo em três etapas: o chamado entra no Jira, um agente configurado no Rovo AI lê escopo, prazo e urgência, e o resultado cai numa matriz de priorização no Excel, que deixa a fila visível.
Aproximar as diretrizes da liderança do nosso fluxo diário permitiu catalogar insumos diretamente nos cards. Essa prática estruturou o alicerce da nossa arquitetura, acelerando a entrega do catálogo de formatos de banner e criando uma fundação sólida para novas demandas.
Não foi um case de chegar e brilhar sozinho. Foi ajustar a rota a cada vez que a operação pedia, e aproveitar o que cada pedido deixava de estrutura.
Escopo Estruturado & Evidências de Adoção- Autonomia na produção de campanhas: Desdobramentos de vitrines de e-commerce, PNLD e peças promocionais passaram a ser montados no Figma usando os componentes das bibliotecas, com bem menos revisão manual a cada entrega.
- Redução de solicitações avulsas via chat: Queda nos pedidos recorrentes de "qual é o logo correto?" ou "tem o mockup atualizado desse livro?" após a disponibilização no Loop para marketing e ecommerce.
- Reuso nas bibliotecas do PNLD: As campanhas do PNLD tiveram bibliotecas por segmento, de literatura a didáticos, e a criação de cada uma reaproveitou bastante os assets e componentes já organizados.
Tudo parte da identidade dos selos e se desdobra em ativos acessíveis e triagem organizada.
- Diretrizes das marcas dispersas em manuais estáticos de difícil consulta
- Solicitações recorrentes de logos e recortes manuais de mockups a cada campanha
- Tempo elevado de interpretação em chamados extensos no Jira
- Bibliotecas de marcas e regras de aplicação convertidas em componentes no Figma
- Mockups padronizados e acessíveis autonomamente via Figma e Microsoft Loop
- Escopo sintetizado com apoio do Rovo AI e organizado em planilha de priorização
O que escolhi, e o que isso custou Três decisões que moldaram a arquitetura
Componentizar o que quebrava, em vez de montar um design system para cada selo.
O risco real estava na assinatura, na aplicação de cor e nas peças promocionais que se repetem. Um sistema de UI completo por selo resolveria um problema que ninguém tinha.
CustoUm escopo mais enxuto, mas fácil de manter e já em uso nas campanhas.
Espelhar os mockups no Loop, em vez de deixar tudo só no Figma.
Só o time de design vive no Figma. Marketing, editorial e comercial precisavam chegar ao mesmo mockup sem pedir para ninguém.
CustoManter duas plataformas atualizadas, em troca de menos interrupções no dia a dia.
Triar com Rovo e planilha, em vez de endurecer o formulário do Jira.
Campo obrigatório demais empurra o pedido urgente para o chat. Preferi deixar a porta de entrada aberta e fazer a leitura e a classificação do lado do design, com apoio de IA.
CustoA síntese dos chamados passou a ser trabalho interno, antes de distribuir as tarefas.
Governança, aqui, funcionou menos como regra e mais como atalho. Com a identidade dos selos como ponto de partida, os componentes, os mockups acessíveis nas duas pontas e a triagem assistida fizeram o padrão ser o caminho mais fácil para quem estava produzindo, e não mais uma checagem no fim.